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Calor intenso e consumo de álcool no verão elevam risco de desidratação

Calor intenso e consumo de álcool no verão elevam risco de desidratação

Especialistas explicam como as altas temperaturas e o consumo de álcool afetam o organismo e dão dicas para se proteger na estação mais quente do ano

Os últimos meses têm sido marcados por ondas de calor e temperaturas acima da média em diversas regiões do Brasil. Em São Paulo, por exemplo, dezembro registrou a maior temperatura já medida para o período e a mais alta de 2025: 36,2ºC, às 15h, segundo dados da estação meteorológica do Mirante de Santana, na Zona Norte da capital. O calor intenso deve persistir ao longo de janeiro e fevereiro, período que também costuma ser marcado pelo aumento no consumo de bebidas alcoólicas, especialmente às vésperas do Carnaval — o que eleva o risco de desidratação e outros problemas de saúde.

“A desidratação ocorre quando o corpo perde mais líquidos do que ingere, afetando funções essenciais como a regulação da temperatura corporal, a circulação sanguínea e o funcionamento dos rins. Ela não começa apenas quando sentimos sede. Em dias muito quentes, o corpo perde líquidos rapidamente por meio do suor, e isso pode impactar a pressão arterial, a função renal e até o ritmo cardíaco. Em casos mais graves, pode haver tontura, confusão mental e necessidade de atendimento médico”, explica Fábio Carra, clínico geral emergencista do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas.

Entre os principais sinais de alerta estão boca seca, urina escura, dor de cabeça, cansaço excessivo e sensação de fraqueza. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas fazem parte do grupo que exige atenção redobrada.

Muito além de beber água

Além da ingestão de água, a alimentação também desempenha um papel importante na hidratação do organismo durante o verão. Frutas, verduras e legumes ricos em água — como melancia, melão, laranja e abacaxi, além de pepino, alface, tomate e abobrinha — são aliados importantes nos dias mais quentes, pois contribuem para a reposição de líquidos e nutrientes. A água de coco pode complementar a hidratação, mas não substitui o consumo regular de água.

“A hidratação não depende apenas do consumo de líquidos. Frutas, verduras e legumes ricos em água, contribuem para o equilíbrio hídrico e ajudam o corpo a lidar melhor com as altas temperaturas”, orienta Eduardo Pastorelli, nutrólogo do Hospital São Lucas Copacabana, da Rede Américas.

Outro ponto de atenção é o consumo de bebidas alcoólicas, comum no verão e intensificado no período pré-Carnaval.

“O álcool tem efeito diurético, o que aumenta a perda de líquidos e pode mascarar a sensação de sede. A combinação de calor intenso, ingestão de bebidas alcoólicas e longos períodos de exposição ao sol eleva significativamente o risco de desidratação”, Vinícius Sá, clínico geral do Hospital Brasília Águas Claras.

Para reduzir os riscos, a orientação é intercalar o consumo de bebidas alcoólicas com água, evitar exposição prolongada ao sol — especialmente entre 10h e 16h — e utilizar roupas leves, chapéus e protetor solar.

 

 

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