Mês da Mulher: como a pós-menopausa afeta o sono e o metabolismo
Distúrbios do sono aumentam risco de resistência à insulina; especialista explica diagnóstico e mudanças de hábitos que ajudam
São Paulo, outubro de 2025 -distúrbio marcado por interrupções da respiração durante a noite, que se torna mais comum após a menopausa em razão de alterações hormonais e metabólicas.
Segundo um estudo latino-americano publicado em agosto no periódico Climacteric, 20,6% das mulheres na pós-menopausa relatam distúrbios do sono. A pesquisa incluiu 1.185 participantes, com idade média de 56,9 anos, índice de massa corporal de 26,5 kg/m² e 8,6 anos desde o início da menopausa.
“A queda dos níveis de estrogênio na pós-menopausa provoca relaxamento dos músculos da faringe, facilitando o colapso das vias aéreas durante o sono. Além disso, o ganho de peso comum nessa fase e a concentração de gordura abdominal aumentam ainda mais o risco de apneia”, explica Sara Giampá, educadora física e médica do sono da Biologix.
Quando não tratada, a apneia do sono pode acelerar a resistência à insulina, um fator de risco para diabetes tipo 2. A repetição de interrupções respiratórias, conhecida como hipoxemia, desencadeia uma série de alterações no organismo:
- Aumento da inflamação: processo inflamatório generalizado que afeta órgãos e sistemas.
- Alterações hormonais: interferência na produção de hormônios como leptina e adiponectina, essenciais para o metabolismo.
- Disfunção endotelial: danos à camada interna dos vasos sanguíneos, aumentando o risco de doenças cardiovasculares.
“Essas alterações combinadas podem levar não apenas à resistência à insulina, mas também a complicações como hipertensão, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, depressão e declínio cognitivo”, acrescenta Sara.
O diagnóstico envolve avaliação clínica, exames de polissonografia e monitoramento do metabolismo. O tratamento exige uma abordagem multidisciplinar. “É fundamental integrar endocrinologistas, nutrólogos e educadores físicos para montar um plano personalizado. Nutrição adequada e atividade física são aliados importantes, pois ajudam na perda de peso, no controle do metabolismo e na redução dos sintomas da apneia”, diz a médica do sono.
Mudanças de hábitos que podem ajudar
Além do acompanhamento médico, pequenas mudanças no dia a dia podem contribuir para a melhora da qualidade do sono e do metabolismo. A especialista orienta:
- Alimentação equilibrada: priorizar frutas, verduras, proteínas magras e reduzir ultraprocessados.
- Atividade física regular: exercícios aeróbicos e de força ajudam a reduzir gordura abdominal e melhorar o tônus muscular.
- Rotina de sono: horários regulares e ambiente adequado favorecem a consolidação do sono profundo.



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