Cirurgia plástica vai além da beleza

Data amplia debate sobre a diferença entre desejo estético e indicação médica em procedimentos que podem melhorar a rotina do paciente 

No Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, a discussão sobre cirurgia plástica ganha uma abordagem que vai além da aparência. Em alguns casos, o procedimento pode ter impacto funcional, ajudar o paciente a retomar atividades, reduzir desconfortos físicos e viver com mais autonomia. A condição para isso é que a decisão seja médica, segura e baseada em saúde, não em pressa, comparação com outras pessoas ou promessa de transformação rápida.

O Brasil realizou 2,35 milhões de cirurgias plásticas em 2024 e liderou o ranking mundial de procedimentos cirúrgicos, segundo o levantamento mais recente da International Society of Aesthetic Plastic Surgery, divulgado em 2025. Ao somar procedimentos cirúrgicos e minimamente invasivos, como toxina botulínica e preenchimentos, o país ultrapassou 3,1 milhões de intervenções no mesmo período, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

O dado ajuda a dimensionar a força da especialidade no país, mas também reforça a importância de diferenciar uma escolha puramente estética de uma indicação ligada à saúde, à função e ao bem-estar.

Para o cirurgião plástico Alexandre Peruzzo, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e ex-professor universitário da ULBRA por cinco anos, a cirurgia plástica não deve começar pelo desejo isolado de mudar uma parte do corpo, mas por uma avaliação médica criteriosa.

“A cirurgia plástica precisa começar por uma pergunta de saúde: esse procedimento melhora uma função, reduz algum desconforto, preserva mobilidade ou contribui para a rotina do paciente? Quando existe dor, limitação ou prejuízo físico, a conversa muda”, afirma Peruzzo.

Entre os exemplos estão a redução de mamas em pacientes com dores nas costas, alterações posturais e dificuldade para praticar atividade física; a retirada de excesso de pele após grande perda de peso, quando há assaduras, infecções de repetição ou limitação de movimento; a reconstrução após câncer, queimaduras ou traumas; e procedimentos nas pálpebras quando a pele excedente compromete o campo visual.

Segundo Peruzzo, a diferença está na indicação. Uma mesma cirurgia pode ter motivação estética para uma pessoa e funcional para outra. Por isso, sintomas, histórico clínico, exames, rotina, idade, hábitos e expectativas precisam ser avaliados antes da decisão.

“Quando existe dor, inflamação recorrente, limitação de movimento ou perda de função, a cirurgia pode fazer parte de um plano de saúde. Ainda assim, não existe indicação automática. Duas pessoas podem ter a mesma queixa e precisar de condutas completamente diferentes”, diz o médico.

O alerta é importante porque nem todo incômodo corporal deve levar ao centro cirúrgico. Antes de qualquer procedimento, o paciente precisa passar por avaliação, relatar sintomas, fazer exames e entender se há alternativas clínicas, fisioterápicas, dermatológicas ou nutricionais que devem ser consideradas. Em alguns casos, a cirurgia pode ser adiada até que o organismo esteja em melhores condições.

Para o cirurgião plástico, estar saudável é parte do tratamento. Anemia, tabagismo, diabetes descompensado, sedentarismo extremo, inflamações ativas, uso de determinados medicamentos e expectativas irreais podem aumentar riscos e comprometer a recuperação. “Operar um paciente sem preparo adequado é um erro. A cirurgia não deve ser uma tentativa de corrigir, sozinha, problemas que dependem de cuidado contínuo. O corpo precisa estar em boas condições para passar pelo procedimento e se recuperar melhor”, afirma Peruzzo.

A preparação pode envolver exames laboratoriais, avaliação cardiológica quando indicada, revisão de medicamentos, análise da composição corporal, orientação nutricional e planejamento do pós-operatório. Para pessoas que passaram por grande emagrecimento, por exemplo, o médico costuma avaliar estabilidade de peso, estado nutricional e presença de deficiências antes de indicar a remoção de pele.

Outro ponto essencial é a expectativa. A cirurgia pode melhorar desconfortos físicos, contribuir para a mobilidade e favorecer a qualidade de vida, mas não deve ser apresentada como solução garantida para autoestima, dor ou bem-estar.

O Conselho Federal de Medicina determina que a comunicação médica não pode induzir promessa de resultado ou êxito individual. “Prometer recuperação fácil ou resultado certo é um erro. O papel do médico é explicar os riscos, limites e benefícios possíveis. O paciente precisa sair da consulta entendendo o que pode melhorar, o que não depende da cirurgia e quais cuidados serão necessários antes e depois”, diz Peruzzo.

Os sinais de alerta para procurar avaliação especializada incluem dor persistente associada ao peso das mamas, assaduras frequentes em dobras de pele, dificuldade para caminhar ou se exercitar após perda de peso, cicatrizes que limitam movimento, sequelas de queimaduras, alterações após tratamento oncológico e excesso de pele nas pálpebras com prejuízo visual.

Também é importante verificar se o médico tem registro de especialista, confirmar a estrutura onde o procedimento será realizado, perguntar sobre anestesia, riscos, tempo estimado de afastamento e cuidados no pós-operatório. Decisões baseadas apenas em redes sociais, promoções, comparações com outras pessoas ou promessas de recuperação rápida devem ser vistas com cautela.

“A cirurgia plástica bem indicada não começa na sala cirúrgica. Começa na avaliação individualizada. Cuidar da aparência não precisa estar separado de cuidar da saúde, mas essa decisão precisa ser construída com responsabilidade”, afirma Peruzzo.

Sobre o Dr. Alexandre Peruzzo

Dr. Alexandre Peruzzo é cirurgião plástico em Porto Alegre, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), mentor de médicos em gestão e marketing, proprietário de clínicas de alto padrão e ex-professor da ULBRA, onde atuou por cinco anos. Formado em Medicina em 2001 e em Cirurgia Plástica em 2008, construiu sua trajetória com foco em técnicas minimamente invasivas, recuperação rápida, personalização e integração entre estética, saúde e longevidade.

Ao longo da carreira, desenvolveu a Minilipolaser, técnica minimamente invasiva para remoção de gordura localizada, baseada na adaptação do procedimento às necessidades reais de cada paciente. Sua atuação parte da tese de que a cirurgia plástica deve ser uma oportunidade de reaproximação do paciente com a própria saúde, com atenção à preservação do metabolismo, da massa muscular, da rotina e dos hábitos de vida.

Para mais informações, acesse Linkedin e Instagram.

Sobre a clínica

A clínica do Dr. Alexandre Peruzzo atua no segmento de saúde de alto padrão, com foco em cirurgia plástica, contorno corporal minimamente invasivo, medicina estética, longevidade, avaliação metabólica e acompanhamento individualizado. O modelo de atendimento integra estrutura clínica, exames modernos, monitoramento da evolução corporal e uma experiência voltada à segurança, discrição e personalização, com conexão ao turismo médico e ao mercado premium em saúde.

Para mais informações, acesse o Site.

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