Rede de apoio fortalece a saúde física e mental de quem cuida de pacientes em casa

Dados acendem o alerta: o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028

Quando um familiar é diagnosticado com uma doença, a rotina da família costuma mudar. Em casos de câncer, quando o paciente começa a realizar procedimentos de média e alta complexidade, como sessões de quimioterapia, cirurgias ou técnicas percutâneas, é comum que um familiar assuma o papel de cuidador.

Em casos assim, é importante que essa rede de apoio fortaleça tanto a saúde física quanto a saúde mental. Uma ação importante é a adoção de treinamentos formais, já que, muitas vezes, o cuidador se vê diante de dúvidas práticas. É esse vazio de informação que guias oficiais e instituições de combate ao câncer buscam preencher, focando, também nos cuidados que devem ser destinados a quem cuida de pacientes oncológicos.

A atenção aos cuidadores se faz ainda mais necessária diante das previsões. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), revelam que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028.

A quimioterapia e os cuidados que devem ser tomados em casa

Entre os cuidadores, uma das dúvidas mais frequentes diz respeito a como é administrada a quimioterapia. De modo geral, segundo o Ministério da Saúde (MS), os medicamentos podem ser aplicados por via intravenosa, em sessões que duram de alguns minutos a algumas horas, ou por via oral, em comprimidos e cápsulas ingeridos em casa.

As aplicações são organizadas em ciclos, com intervalos regulares, frequentemente a cada 21 dias, a fim de que o organismo se recupere entre uma dose e outra. Antes de cada sessão, exames de sangue verificam se o paciente está em condições de receber o tratamento.

É no intervalo entre os ciclos que a família precisa estar atenta aos cuidados com o paciente. As orientações pós-alta dos manuais de enfermagem destacam a importância da hidratação. É preciso incentivar o consumo de líquidos ao longo do dia, já que isso ajuda os rins a eliminarem os resíduos dos medicamentos e reduz efeitos como náusea e cansaço.

Com relação à alimentação, as dicas dos guias sugerem dar preferência a refeições leves, fracionadas e bem cozidas nos dias seguintes à aplicação, quando o sistema imunológico costuma estar mais debilitado. Além disso, é indicado evitar alimentos crus, ultraprocessados e manipulados sem higiene rigorosa.

Nas primeiras 48 horas após a aplicação da quimioterapia, suor, urina, vômito e outras excreções podem conter resíduos de quimioterápicos. O recomendado é que o paciente use o banheiro normalmente, mas com descarga dada em vaso sanitário fechado e acionada duas vezes. Em seguida, deve ser feita a higienização das mãos. Os acompanhantes devem fazer uso de luvas ao limpar superfícies ou trocar fraldas e fazer curativos.

Sintomas como febre, calafrios, sangramentos ou feridas na boca devem ser comunicados à equipe oncológica, conforme aponta o Guia Prático do Cuidador, publicado pelo MS.

Tratamento para o câncer de mama

As projeções do INCA estimam cerca de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil para o triênio de 2026 a 2028. O tratamento para o câncer de mama costuma envolver cirurgia, combinadas ou não com quimioterapia e radioterapia.

No pós-operatório, os acompanhantes têm um papel prático. Os cuidados envolvem curativos cirúrgicos, que têm como objetivo manter a região limpa e seca. É preciso seguir o cronograma de trocas indicado pela equipe e observar a ferida diariamente. Vermelhidão crescente, secreção com odor ou abertura de pontos exigem contato imediato com o serviço de saúde.

Entre os sinais de alerta no período pós-cirúrgico, estão inchaço persistente no braço do lado operado, o que pode indicar linfedema. Além disso, se os cuidadores perceberem febre persistente, que não cede, é indicado procurar atendimento, já que pode ser indício de infecção.

Cuidados pós ablação de tumor pulmonar

Técnicas percutâneas, como a ablação de tumor pulmonar, que permite a destruição térmica, química ou elétrica do tumor, são minimamente invasivas e, em geral, permitem alta em poucas horas ou no dia seguinte. A recuperação esperada é breve, mas o acompanhante precisa saber monitorar o pós-procedimento imediato.

É preciso observar a respiração do paciente nas primeiras 24 a 72 horas, a fim de verificar se há falta de ar. Além disso, dor torácica que aumenta e tosse com sangue ou febre são sinais de alerta. Incômodos no tórax, como dor leve a moderada no local da punção, são comuns nos primeiros dias, podendo ser controlados com analgésicos prescritos.

É preciso manter o curativo do ponto de punctura seco e observar sangramentos ou aumento do volume local.

Sem rede de apoio, os desgastes físico e emocional comprometem o cuidado e a saúde

Para familiares, cuidadores e redes de apoio que acompanham pacientes de média e alta complexidade, estar bem informado é fundamental. Mas é preciso adotar cuidados físicos e emocionais. Quando se fala de cuidadores de pacientes oncológicos, os sinais de sobrecarga podem ser irritabilidade, insônia e impaciência.

A recomendação de especialistas é dividir tarefas entre familiares, manter atividade física e alongamentos, a fim de proteger o próprio corpo na mobilização do doente, além de reservar momentos na rotina para ouvir música, ler e fazer uma refeição fora de casa. O Guia Prático do Cuidador lista, entre os pilares do autocuidado, o controle do estresse, a atividade física e o relacionamento social.

“O cuidador não é, necessariamente, apenas aquele que executa atos mecânicos como trocar, dar banho, administrar remédios. Pode ser aquela pessoa que está sempre junto, que divide todas as angústias do adoecimento”, explica a presidente da Associação Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), Maria Goretti Salles Maciel, em material do Instituto Vencer o Câncer.

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